Tradições que podem se perder com o tempo

Joyce Afonso e Lívia Almeida

Loja Preto Artesanatos vista de dentro

Loja Preto Artesanatos, vista de dentro

Clima aconchegante, moradores calorosos e receptivos, artesanatos originais e uma bela cachoeira são características típicas de Cachoeira do Brumado. Em nossas visitas, descobrimos não só a beleza local, mas também a união existente na comunidade e como as tradições se constroem e continuam por gerações.

Clique aqui e veja a nossa primeira impressão do distrito.

Entretanto, o artesanato está sofrendo com o crescimento do distrito. Agora, os jovens têm a oportunidade de estudar e conseguir cursar uma faculdade. Surge, assim, o desinteresse pelas artes locais, que correm o risco de acabar. Quando perguntamos para Vicente, dono da Vicente Artesanatos, se existe alguma cooperativa ou associação de artesãos,  ele diz que já tentaram mas que não acredita que ajudaria. Percebemos que há uma certa individualidade na produção, onde  a  concorrência predomina.

Na região, a maioria são profissionais autônomos, e, em poucos casos, são empregados de pequenas empresas, como as duas fábricas de panela de pedra sabão que conhecemos em uma das visitas. A falta da regulamentação da profissão piora o interesse dos mais jovens, que anseiam por um emprego sólido, com benefícios e auxílio do Estado.

Para agravar mais a situação, há a falta de incentivo de parte da prefeitura e do setor privado. Só há visibilidade dos trabalhos no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, com as oficinas de produção de tapetes de sisal e com a divulgação da Festa da Panela de Pedra, que ocorre no distrito.

Mirene Ulhôa, artesã de Cachoeira do Brumado

Mirene Ulhôa, artesã de Cachoeira do Brumado

As técnicas também mudam com o tempo. Surgem novos produtos de pedra-sabão e alguns artesãos antigos, como Mirene Ulhôa, que faz tapetes de sisal com tecido, e seu marido Geraldo Ibraim, que também faz tapetes, mas com um outro tipo de fibra. Essas mudanças podem ficar perdidas, pois resistem isoladamente e não são ampliadas dentro do distrito.

Geraldo Ibraim, um dos primeiros a produzir tapetes na região

Geraldo Ibraim, um dos primeiros a produzir tapetes na região

Na produção e nas ruas, notamos a ausência de jovens, que saem da região para conseguir um futuro melhor em outras cidades. Os que permanecem, trabalham ou estudam fora, como em Mariana e Ouro Preto. A presença de idosos e adultos é majoritária no ramo do artesanato.

Veja a reportagem da TV UFOP sobre os artesanatos em Cachoeira do Brumado.

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