O sonho de uma atleta

Caroline Gomes e Hiago Maia

O esporte entrou muito precocemente na vida de Luísa Silva. Incentivada pelos famliares, a menina com então 4 anos de idade, já brincava dando seus primeiros chutes na bola de futebol, o que passou a ser motivo de grande felicidade no período que passava na escola. O que Luísa não sabia, era que a brincadeira viria a se tornar algo sério anos depois.

Movida pela paixão pelo Clube Atlético Mineiro, time da elite do futebol brasileiro, Luísa deu continuidade à prática do esporte, participando de competições onde defendia a equipe do colégio onde estudava. As boas atuações da jovem enchiam os olhos dos espectadores, que se desdobravam em elogios a ela. Motivada por um de seus admiradores, Luísa decidiu que faria um teste no seu time do coração e seguiria em busca do seu sonho de ser atleta profissional. O que antes era visto com descrença, estava próximo de se tornar realidade: Luísa passou no teste com 87% de aprovação para a posição de meia-atacante e meia-armadora, tornando-se motivo de orgulho para familiares, amigos e treinadores.

postar

Tendo percorrido boa parte do caminho rumo ao seu objetivo, havia chegado o difícil momento de decidir sobre o seu futuro: trilhar o caminho do esporte na capital Belo Horizonte ou permanecer em Ouro Preto, cidade onde nasceu e cresceu, e investir nos estudos para tornar-se arquiteta no futuro. Não querendo trocar “o certo pelo duvidoso”, Luísa abriu mão de seu sonho e optou em permanecer nos estudos.

Apesar de ter aberto mão do seu principal sonho, a jovem segue praticando o esporte e é integrante da Seleção de Futebol Feminino de Ouro Preto e portanto, carrega consigo toda a responsabilidade e prazer de ser atleta. Luísa “nada contra a correnteza” em um país onde o esporte feminino (principalmente o futebol), ainda recebe tão pouca atenção e investimentos.

Uma vez que continua sendo atleta, Luísa ainda compartilha sentimentos e emotividade próprias de um atleta, e não pode fugir da ação psicológica sobre o que faz, como ela mesmo relata:

Carol e Hiago: Você acredita que motivos psicológicos possam afetar seu desempenho?

Luísa: O que mais é cobrado em uma pessoa enquanto atleta é o fator psicológico! Treinadores muitas vezes nos pedem para fazer concentrações com a equipe um ou dois dias antes dos jogos para que todos estejam bem e alguns problemas não cheguem a nos afetar muito. Eu acabei me surpreendendo varias vezes com alguns problemas que me afetaram e jamais poderia pensar que fosse refletir dentro de campo. São coisas às vezes simples, mas que fazem muita diferença, então acredito que não adianta estar bem somente com o corpo e tentar focar no objetivo de vencer o jogo é necessário ter um equilíbrio mental e psicológico para conseguir desempenhar um bom papel dentro das quatro linhas.

C e H: Você já vivenciou alguma situação em que um fator psicológico interferiu no seu comportamento durante a prática do esporte?

L: Tive duas finais de campeonatos importantes para mim e para minha equipe em que era fundamental que eu estivesse bem psicologicamente, mas que infelizmente algumas coisas aconteceram na minha família, me afetou muito, e não consegui desempenhar o meu papel da maneira correta. Em uma final conseguimos ser campeãs, mas na outra não foi possível.

C e H: Como você, na condição de atleta, pode ajudar outro atleta nessa situação?

luisa timeL: Como pratico um esporte coletivo, dentro de campo se não temos uma boa comunicação é quase impossível conseguir jogar. Então, formamos amizades do lado de fora e é a partir disso que nos conhecemos melhor, conhecemos a família das pessoas e involuntariamente acabamos percebendo se uma pessoa está bem ou não. A partir disso tentamos ajudar da melhor maneira possível, deixando a pessoa desabafar, brincando, tentando desviar o assunto e geralmente isso costuma ter resultados bem positivos!

C e H: No caso de um esporte coletivo, como o que você pratica, é possível que o abalo psicológico de um atleta contagie outros?

L: O pensamento é pelo bem da equipe, então quando existe um membro que não se sente bem, involuntariamente todos os outros vão procurar ajudar, se mobilizarem e da melhor maneira possível, fazer a pessoa se sentir bem independente da situação que seja pela qual ela está passando. Acredito que afetar a todo o grupo isso não aconteça muito facilmente.

C e H: O que você faz para impedir que algo de ordem psicológica te abale?

L: Eu sou muito focada. Quando entro em campo eu tento esquecer tudo o que ficou do lado de fora e o meu pensamento é dar o meu máximo para ajudar a equipe porque querendo ou não é necessário pensar no coletivo. São 10 pessoas mais você correndo atrás de um objetivo somente: ganhar o jogo! Então o que eu procuro fazer é me concentrar muito antes de qualquer partida, conversar com as jogadoras, ouvir uma música no volume máximo, conversar com o meu treinador, tentar entender como ele espera o meu desempenho, e saber que são 90 minutos de foco, ganhar a partida! O mais importante é ter foco, quando se tem foco não é preciso mais nada!

Confira abaixo um trecho do depoimento da atleta Luísa Silva:

 

Confira nossa reportagem: O lado “psicológico” de um treinador

Anúncios

Um Comentário

  1. Pingback: Até que ponto a psicologia influencia a vida dos atletas? | Antes do fim

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: