O lado “psicólogo” de um treinador

Caroline Gomes e Hiago Maia

divino

Dentro da rotina do esporte, os técnicos são os personagens que acompanham mais de perto os altos e baixos da personalidade de um atleta. Diversas são as situações que fazem com que esses profissionais atuem não só como técnicos, mas como conselheiros, e, por vezes, até se “incorporem” à família de seus comandados. Essa realidade não é diferente com Valdeir Pereira, 26, técnico da equipe de vôlei masculino Super Ball, da cidade de Mariana.

Formado como jogador nas categorias de base do Flamengo, no Rio de Janeiro, Divino – como é popularmente conhecido – já atuou em clubes de destaque no vôlei nacional, entre eles, o Fiat Minas, em Belo Horizonte. Em sua curta trajetória como técnico, Divino relata ter vivenciado experiências que demonstram o quanto um atleta pode ser dependente do fator psicológico.

Caroline e Hiago: Como técnico esportivo, como você observa a ação do fator psicológico sobre seus atletas?

Valdeir: É sempre uma questão bastante complicada. O psicológico costuma ser o terror para os atletas de todas as modalidades esportivas. Indiscutivelmente, é algo que temos que aprender a conviver durante o tempo em que se pratica qualquer esporte que envolva competição e adrenalina. Existe o lado bom, que é quando o atleta se motiva por algo, se sente bem e isso faz com que ele dê o melhor de si, se empolgue com o que está fazendo. Mas, na grande maioria das vezes, o fator psicológico pesa para o lado ruim, o que acaba influenciando nos resultados do próprio atleta.

Caroline e Hiago: Que tipo de comportamento um atleta psicologicamente abalado apresenta?

Valdeir: O primeiro sinal é a expressão facial. O atleta treina calado, com o rosto tristonho, como se não estivesse confortável realizando aquela atividade. No caso do vôlei, por exemplo, se errar um ataque, passa a errar todos os seguintes. É como se a autoconfiança fosse afetada. Depois, o atleta fica impaciente e até mesmo agressivo. Eu mesmo já fui ofendido depois de passar alguma instrução, mas busco entender a situação e acabo relevando, porque sei que isso acontece.

Caroline e Hiago: Sobre o aspecto físico, quais as consequências no desempenho do atleta?

Valdeir: Por mais forte que ele seja, o fator psicológico acaba pesando. Parece que o organismo libera menos energia do que o normal, diminui força, agilidade e velocidade de raciocínio. O atleta pensa tanto em outras coisas, que parece que se esquece do que tem que fazer dentro de quadra, fica “lento”.

Caroline e Hiago: O que uma comissão técnica pode fazer para amenizar a influência psicológica?

Valdeir: Isso varia bastante de técnico para técnico. No meu caso, estou sempre baixando vídeos motivacionais, dando exemplos de superação. Outra coisa que considero como sendo muito importante, é ter uma conversa franca e direta com a pessoa, procurando entender o que se passa e mostrando que ela pode contar comigo, que não está sozinha para enfrentar aquilo. Nessas situações, procuro ser bastante delicado na forma de tratar, para que a pessoa se sinta segura.

Confira a nossa reportagem: Cronologia do desequilíbrio psicológico

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