O olhar da especialista

Por Caroline Gomes e Hiago Maia

Em entrevista com a psicóloga Cláudia Ferraz, pudemos esclarecer algumas questões recorrentes sobre a influência da psicologia na atuação de um atleta.

1- Quais as situações mais comuns que podem abalar psicologicamente uma pessoa?

Quando penso em “abalos psicológicos”, penso em mal estar, em desconforto, em sofrimento. Sendo estes, mental e/ou físico. Podemos pensar em três grandes causas desses abalos, ou como prefiro chamar, do mal estar. Freud foi quem nos trouxe essas causas. Ele vai dizer que o sofrimento nos ameaça de três lados: a partir do corpo, que destinado à ruína, não pode evitar a dor e a angústia; a partir do mundo externo, que nos ameaça com suas forças hiperpotentes; a partir dos vínculos com os outros seres humanos.

2 – Quais as proporções do domínio que o psicológico exerce sobre o corpo e demais funções do organismo?

A psicologia tem uma área que estuda especificamente esse fenômeno: a psicossomática. O corpo e o psiquismo se atravessam, se influenciam e se afetam. Há problemas que o corpo sofre primeiro e afeta o psiquismo. E há questões do psiquismo que vai repercutir no corpo, com suas dores, adoecimento. Podemos pensar que quando o corpo adoece – com ou sem dor – há uma tentativa desse corpo de fazer com que o sujeito fale. É como se o sintoma fosse reticências entre parênteses tentando fazer, construir sentido. Tentar desvencilhar corpo e psiquismo é errado e prejudicial.

3 – De acordo com a visão popular da mulher como sendo “o sexo frágil”, é possível concluir que o sexo feminino é mais vulnerável a sofrer abalos psicológicos?

Essa conclusão é equivocada. É muito mais uma construção de gênero, no sentido de socialmente colocá-la como frágil. Como disse Clarice, a mulher é pesada, ela carrega em si o peso da feminilidade, peso este que faz a mulher forte.

4 – No caso de um abalo psicológico seguido por um fracasso, que tipo de conseqüências o indivíduo pode sofrer?

O abalo psicológico, no sentido do mal estar que falamos anteriormente, traz a possibilidade de um adoecimento que pode tanto ser físico como mental; ou as duas coisas juntas. E junto a isso, podemos dizer que como efeito desse abalo que gera uma frustração, e, portanto, uma perda, vem um desinvestimento do sujeito no mundo exterior, como se ele precisasse se ocupar apenas da sua dor para poder dar conta dela e voltar para o mundo das relações.

5 – Quais os “sintomas” mais comuns de uma pessoa que se encontra em estado psicológico ruim?

Como dito anteriormente, há um desinvestimento do sujeito no mundo externo. O mundo fica desinteressante, as pessoas ficam desimportantes. Há um movimento de rejeitar o mundo que lhe faz sofrer.

6 – O que você, enquanto profissional, aconselha a pessoas que passam por essas situações?

Primeiro, aceitar que se pode sofrer. Ficar triste faz parte da vida e a insatisfação, a angústia são motores fundamentais para que o sujeito possa amadurecer, crescer. E, nesse caminho, se propor movimentos de elaboração de suas questões e dores em processos terapêuticos, processos de transformação. O que não acontece apenas em sessões psicoterápicas. Existem amizades terapêuticas, a escrita é terapêutica. Tudo que nos cuida é recomendável.

Confira abaixo o que a psicóloga Cláudia tem a dizer sobre esse assunto:

 

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