Excluir a área de humanas é a melhor forma de investir no Brasil?

Socióloga Silvana Vieira / Foto: Arquivo Pessoal

Paula Bamberg e Priscila Gomes

Como vimos na matéria com o jornalista Fellipe Faria, o intercâmbio agrega valores na experiência pessoal, cultural e também profissional. No Brasil, sempre houve pouco incentivo do Governo para que alunos de graduação pudessem vivenciar a experiência fora do país. Em 2011, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, juntamente com o MEC, criou o Ciência Sem Fronteiras, programa que concede bolsas para estudantes estudarem no exterior e busca a expansão da ciência e tecnologia por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional.

Apesar da importância para o desenvolvimento dos alunos brasileiros, em 2012, o Ciência sem Fronteiras excluiu mais de 20 cursos da área de Humanidades de seu edital.

Mas será correto contemplar apenas a área de Ciência e Tecnologia? Para a socióloga Silvana Vieira, o não investimento nos estudantes dessa área pode prejudicar a capacidade de refletir e solucionar problemas que o desenvolvimento do capitalismo criou: “A exclusão das humanidades do Programa CsF pode acarretar mais falhas na educação brasileira, mais desigualdades sociais, mais desrespeito aos direitos do cidadão, mais desinteresse político, enfim a perda da capacidade crítica”.

Segundo Silvana, a área de Humanidades sempre foi carente de profissionais especialistas e o país sempre apresentou déficits nessa área durante seu processo histórico: “Hoje, o foco é ciência, tecnologia e inovação, mas o foco de uma prática educativa coerente seria aquele voltada para atender de forma igualitária todas as áreas do conhecimento, para mais tarde não corrermos atrás de mais prejuízos como a alienação e a não criticidade”, declara a socióloga.

Precisamos de profissionais na área das humanas que valorizem o conhecimento sistematizado, conhecimento esse voltado para atender a sociedade no sentido de torna-la mais justa, mais igualitária, mais consciente e capaz de buscar soluções para os problemas que põem em risco a sobrevivência do homem – Silvana Vieira.

O governo não estaria, então, negligenciando o futuro do país? Em 1939, o Brasil precisou atender à demanda de especialistas para atuarem no Ministério da Educação, porém, não havia sido feito nenhum forte investimento direcionado à área anteriormente. Nesse cenário, surgiu o curso de Pedagogia. Com a falta de investimento do governo brasileiro na área de humanas, seria possível uma nova crise de profissionais competentes em certas áreas?

A discussão permanece nas instâncias pedagógicas e judiciais. Alguns alunos entraram com recurso no Ministério Público contra a exclusão dos cursos no edital. O que podemos fazer é esperar para ver, já que o mundo não acabou e a discussão parece ir longe.

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