Brasil: pague, ou não, por boas condições de saúde e continue na mesma

Luma Oliveira e Marcelo Nahime Jr.

Diariamente acompanhamos pelos meios de comunicação, reclamações da população brasileira sobre a saúde no país. Toda semana dezenas de pessoas morrem nas filas de hospitais esperando um atendimento médico. Hospitais com estrutura física inapropriada, equipamentos com mau funcionamento, falta de leitos, maus tratos por parte do corpo de profissionais responsáveis, ausência de medicamentos e carência de médicos. Esse é o cenário encontrado por quem depende do atendimento público hospitalar.

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado para que a população brasileira tenha acesso ao atendimento médico em suas condições básicas. Todos possuem esse direito, mas quantos ficam à espera de uma consulta médica, de uma cirurgia ou de um exame?

Acompanhe os depoimentos abaixo:

No dia 15 de fevereiro, sexta-feira, tive um acidente em um banco de madeira no qual uma ferpa grande entrou na minha coxa. No domingo a dor continuou, mas não sentia ou via nada. A dor foi amenizando até a quarta-feira até o pedaço de madeira começar a fisgar minha perna. Fui direto pro pronto atendimento daquele hospital perto da Coca-Cola de Mariana (MG), onde esperei das 15 às 19 horas para não ser atendida. Lá os médicos só atendiam até às 19h e o restante dos pacientes deveriam se direcionar para outro local. Como moro em Ouro Preto preferi voltar à cidade e fui até a UPA, onde o médico me pediu que voltasse durante o dia, sem mais explicações. No dia seguinte, o médico que me atendeu era novo e fez uma cara de descaso, dizendo: “Eu não posso fazer nada por você”. Então ele acabou me encaminhando para Policlínica, lá eu só consegui agendar uma mini-cirurgia pro dia 12 de março. Saí desesperada, liguei para os meus pais e fui para Belo Horizonte. Meu pai conseguiu falar com um amigo que trabalha na Santa Casa de Sabará e fomos pra lá. A ferpa estava incomodando muito, então procurei um médico particular, mas como ele entraria de férias dali a uma semana, ele só poderia removê-la no dia 20 de março. Tive que aguardar até o dia 12 para poder tirar.

(Carolina Lourenço, estudante, 21 anos)  

Em março de 2012 a minha filha estava sentindo fortes dores no estômago e não estava conseguindo se alimentar direito. Quando ela nasceu, comecei a pagar um plano de saúde para ter médicos disponíveis para atendê-la quando precisássemos, mas não foi o que aconteceu. Fui tentar marcar uma consulta com um gastroenterologista, expliquei toda situação e disse que ela precisaria ser atendida com urgência. A atendente me disse que só teria vaga para dois meses depois e ainda falou: “O médico não está tendo tempo nem para os pacientes marcados, imagina pra você que quer um encaixe”. Fiquei revoltada! Depois disso ainda tentei marcar consulta com cinco gastroenterologistas e o problema foi o mesmo, vagas só pra depois de meses. O jeito foi pagar uma consulta particular para que ela fosse atendida logo.

(Ana Lúcia, Dona de casa, 50 anos)

Os casos acima são um espelho da realidade encontrada pelo Brasil. O SUS não dá conta de sanar todas as demandas que a população possui. O Governo, segundo alguns profissionais da saúde, não fornece suporte à hospitais, e a falta de infraestrutura do setor se torna o principal motivo da migração de muitas pessoas para o plano de saúde privado.  É claro que nem todos conseguem ter acesso a um plano de saúde digno. Mas hoje em dia, quem tem convênio médico não está isento de enfrentar os problemas da saúde no Brasil: imensas filas, ausência de médicos, demora na marcação de consultas. Portanto, percebemos que já não se tem um sistema de saúde que apresente excelência na prestação de serviços.

A charge abaixo ilustra bem a situação:

Untitled 1

CARTUNISTA GILMAR, CHARGE PLANO DE SAÚDE

Infográfico Template - Opinião Web Jor

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Um Comentário

  1. Evelyn Coutinho

    O sistema de saúde no Brasil está cada vez pior e as autoridades não estão nem se preocupando em melhoria… Hoje em dia ter plano de saúde não te garante nada, bom atendimento, qualidade… meio difícil! São sempre filas enormes de espera! Ano passado consegui marcar consulta 4 meses após a ligação.
    Tirando o caos na saúde, as vezes me pergunto, porque será que o governo não dá um jeito de facilitar a entrada nos cursos de Medicina? Está bem óbvio que necessitamos de mais médicos!

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