Sociedades Musicais formam músicos em Mariana

Por Kíria Ribeiro e Thainá Cunha

Além de contribuir para a cultura e a diversidade das cidades onde estão presentes, as Sociedades Musicais Civis ainda acrescentam na formação musical de seus integrantes. Os músicos das bandas tem contato direto com instrumentos como clarinetes, trompetes, trombones, baterias, saxonfones, flautas e etc. Nas Sociedades Musicais de Mariana, a formação dos músicos é uma das prioridades das bandas. Segundo o presidente da União XV de Novembro, Amadeu da Silva, “a maioria das pessoas entra na banda sem saber como tocar e com o tempo eles aprendem a ser músicos” diz ele. O maestro da Sociedade Musical São Sebastião, Daltro de Paula Novaes afirma que a “preocupação das Sociedades Civis é prom

A instrumentista da União XV de Novembro, Daniele Freitas diz que se orgulha em integrar a corporação.Foto: Thainá Cunha

A instrumentista da União XV de Novembro, Daniele Freitas diz que se orgulha em integrar a corporação.
Foto: Thainá Cunha

over a formação musical e  social das pessoas que tocam nessas bandas”.

Os músicos que integram essas corporações reafirmam o papel social que elas desempenham na região. Para a instrumentista da União XV de Novembro, Daniele Freitas, que toca flauta na banda há quase sete anos, a música é motivo de orgulho.

“Desde adolescente toco na Sociedade e de lá pra cá, mudei muito, amadureci. Descobri que a banda faz parte mesmo da cidade e que as pessoas nos acolhem muito bem. Somos sempre muito bem recebidos. A cidade de Mariana respira música”, afirma Daniele.

Na Sociedade Musical São Sebastião a situação é parecida. O musicista, Carlos Roberto da Silva, que integra a corporação há nove anos, garante que as bandas promovem  disciplina  e socialização de seus músicos. “A banda me ajudou muito na vida escolar e fora dela, lá aprendemos a respeitar os superiores de uma forma diferente. Existe uma troca muito grande com a população e isso é o mais gratificante pra gente”, conta. A tradição das bandas se fortalece, com a passagem do conhecimento musical de geração em geração, como é o caso de Carlos que se interessou em participar da São Sebastião vendo seu pai, avô e bisavô tocando na corporação.

Sociedade São Sebastião se preocupa com a formação social de seus músicos. Foto: Thainá Cunha

Sociedade São Sebastião se preocupa com a formação social de seus músicos.
Foto: Thainá Cunha

Os integrantes ainda acreditam que a formação musical adquirida em bandas civis contribui  para o processo de aprendizado em outros locais. Além disso, eles ainda reconhecem a importância dessas Sociedades para a cultura do município. De acordo com Daniele, “as bandas são muito importantes para a cultura da cidade, pois a população prestigia sempre as apresentações em praças ou desfiles pelas ruas”.  Já Carlos afirma que “elas são muito relevantes para manter essa tradição e carregam o nome de Mariana em todos os locais que se apresentam, o que é uma responsabilidade grande para aqueles que participam das bandas”.

Contribuição das corporações de acordo com especialista

O professor do curso de Música da Universidade Federal de Ouro Preto, Edésio Lara afirma que “essas corporações civis vem sendo, há dois séculos, verdadeiras escolas de música.  Elas oferecem os primeiros ensinamentos do que chamamos de “teoria musical” e de estudo de um instrumento. Essa é uma das marcas da música em Minas Gerais que fez o nobre Heitor Villa-Lobos dizer em certa ocasião: Se queres encontrar um bom músico, procure-o nas bandas de Minas Gerais.Desde o início do século XIX, somente elas podiam oferecer àquelas pessoas mais humildes a oportunidade de estudar música e, consequentemente, de conquistarem certo prestígio em suas comunidades.”

Ainda segundo o professor, as sociedades musicais marianenses se instalaram primeiro naquelas vilas onde havia minerais preciosos a serem explorados e onde foram erguidas as primeiras capelas. Para o professor, “a importância desses conjuntos musicais para o país é enorme, pois eles, até a invenção do gravador, do disco, do rádio, eram os únicos que podiam alegrar as pessoas em suas festas populares”.

Para Edésio, a interação existente entre o curso de Música da UFOP e as bandas civis ainda não é a ideal.

“O curso de música tem a intenção de dar atenção especial às bandas de música, prova é que as habilitações oferecidas tem, ultimamente, sido direcionadas para aqueles instrumentos que se utilizam em bandas de música. Mas ainda estamos distantes de atingir o ponto que consideramos o ideal. Há muito por ser feito” afirma ele.

O maestro da banda São Sebastião, Daltro de Paula Novaes fala sobre a formação musical dos integrantes da corporação. Confira no áudio abaixo:

Saiba também sobre a relação das Sociedades Musicais com os marianenses!

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Um Comentário

  1. Pingback: Um celeiro de músicos | Antes do fim

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