12 anos: Um período de transformações – Parte II

Fernanda Mafia e Rafa Buscacio

Durante os doze anos que separam os dois últimos “quase fins do mundo”, vivemos muitas e positivas transformações. Mais do que mudanças econômicas, o Brasil e o mundo passaram por alterações sociais, políticas e culturais, afinal, essas vertentes caminham juntas.

“Seria uma pena se o mundo tivesse acabado em 99”.

Essa é a opinião do historiador e professor do curso de economia da UFOP, Edgard Leite, que fala sobre essas mudanças e da expectativa para os próximos anos:

Salário Mínimo

Nesse período, o salário mínimo no Brasil sofreu um aumento de R$486, porém, segundo Edgard, “o aumento do salário mínimo não representa muito na economia, o que faz diferença é o poder de compra”. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o DIEESE, em 2000, por exemplo, um trabalhador que ganhava salário mínimo comprometia 73,51% do seu salário com a compra de uma cesta básica. Em 2004, este comprometimento caiu para 68,09%. “Tem momentos que você tem um aumento grande do salário, mas a inflação também aumenta e o salário mínimo acaba se desvalorizando”. 

Âmbito social

Edgard destaca a importância dos programas de auxílio do governo Lula como o “Bolsa Família”, que surgiu da junção de programas sociais do governo FHC. “A gente sabe que a partir do momento que uma família começa a receber uma renda, é claro que muda também no ponto de vista social. A pessoa passa a ter acesso a outras questões básicas de sobrevivência. Do ponto de vista econômico isso é muito importante, porque você passa a ter um novo consumidor. O “Bolsa Família” conseguiu aumentar a renda da população mais pobre, mesmo com as críticas de que essa distribuição de renda poderia ser melhor, que mais famílias poderiam ter sido beneficiadas, que as famílias poderiam ter sido beneficiadas com uma renda maior, e que isso não acabou com a desigualdade social”.

Política

“Do ponto de vista político, temos um partido de centro esquerda (PT) que assumiu em 2003 e trouxe consigo outros valores para a política, mesmo que não sejam valores revolucionários e sejam muito aquém das mudanças que a gente precisa fazer no país. As políticas sociais da última década são reflexo dessa política do Partido dos Trabalhadores e dos movimentos sociais que estiveram com eles durante esse tempo, como o MST e os sindicatos”. É importante lembrar também que o Brasil teve um presidente operário, e logo em seguida, uma mulher.

Expectativas para os próximos anos

Estamos caminhando para uma sociedade mais justa, e em que as relações econômicas sejam mais humanizadas. Segundo Edgard, a próxima década é muito promissora de ocorrerem mudanças importantes, “principalmente se o Brasil promover reformas, e até revoluções na sociedade. Do ponto de vista econômico, eu vejo economistas falando que o Brasil vai entrar em crise depois da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, alegando que o mercado só está aquecido graças a esses eventos. Porém não há evidências que estamos próximos de uma crise”.

Quem esteve no governo nesses 12 anos?

Quem esteve no governo nesses 12 anos?

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