A arte retrata a vida

Por Aprigio Vilanova

piveteNo sinal fechado nas ruas das cidades brasileiras eles vendem chicletes, picolés, brinquedos e como disse Chico Buarque, na música Pivete, gravada em 1978 e regravada em 1992, no álbum Paratodos: “Zanza na sarjeta, Fatura uma besteira”. 

Esta é a situação de muitas crianças, entregues ao próprio azar, no Brasil. Azar de terem nascidas pobres em um país desigual e, que apesar da melhora nos índices sociais, na última década, continua na lista dos países mais desiguais. O Brasil é um país concentrador de renda, fator que origina as outras desigualdades existentes.

E o produto enterra bruto

A música brasileira se dedica há tempo ao problema das crianças marginalizadas. O tropicalista Tom Zé, na música o PIB da PIB, abordou o problema da prostituição infantil e, com sua genialidade, mostrou como o turismo sexual contribui com o produto interno bruto (PIB) brasileiro.

“A Prostituição Infantil Barata, É a criança coitadinha do Nordeste, Colaborando com o Produto Interno Bruto, E esse produto enterra bruto”

A exploração sexual de crianças e adolescente são recorrentes no Brasil e se configura numa das formas mais terríveis desse absurdo.

‘relampiano’

O neo tropicalista Lenine, também se preocupou com a questão, na músicaRelampiano, ele aborda a questão da miséria e como essas crianças são jogadas a marginalidade, expostas a todo tipo situação.

“Tá relampiano, cadê neném? Tá vendendo drops, No sinal pra alguém… Todo dia é dia, Toda hora é hora, Neném não demora, Pra se levantar”

Chico Buarque, Tom Zé e Lenine são três exemplos de como a música se colocou, de maneira poética, diante da exclusão das crianças exploradas. A música se preocupou em tornar público esse disparate.

A tragédia no cinema

pixoteO cinema também questionou a mazela, após a década de 70, marcada pela pornochanchada, o cinema nacional retomou a questão social e voltou a discutir os problemas nacionais, retomando o cinema novo.

Na década de 80, o filme “Pixote: a lei do mais fraco ”, do diretor Hector Babenco, foi sucesso de público e de crítica, premiado internacionalmente, ao mostrar a história dos meninos de rua paulistanos.

A realidade do filme pode ser constatada em qualquer cidade brasileira, mudam as vítimas, os sotaques, mas permanece a estrutura que sustenta essa anomalia social.

Pobreza, falta de perspectivas, famílias desestruturadas configuram como fatores determinantes nesta tragédia anunciada.

Renato Mendes, coordenador nacional do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (Ipec), da organização internacional do trabalho (OIT), declarou ao jornal A tarde, da Bahia, que: “Há 20 anos, quando foi criado o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), o perfil do pequeno trabalhador explorado era diferente de hoje”

Renato mostra um agravante: “os estudos comprovam que, hoje, 40% das crianças e adolescentes que trabalham já não fazem só por causa da pobreza, mas sim porque querem ter acesso aos bens da modernidade, como celular, smartphones, tablets, roupas”

O trabalho infantil não se rendeu ao consumismo, agora além da necessidade vital de sobreviver existe a ‘necessidade’ de consumir.

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