Ei, isso não é o fim do mundo

Pablo Bausujo

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É verdade que muita coisa tira o chão da gente. Quando Rubens perdeu a esposa – a única ideia de família e o alicerce de um homem de mais de quarenta que ficou órfão aos sete -, seu primeiro impulso foi atirar na própria garganta. Bem, talvez ele tenha pensado noutras coisas, mas não as registrou no bilhetinho deitado ao lado da banheira com seu corpo.

Odete se descobriu com câncer terminal e matou-se dentro de si antes mesmo que a doença o fizesse. Seu túmulo foi o seu quarto e ela rejeitou todas as flores que lhe trouxeram, em luto, desde então.

Já Saulo pegou os trocados que sobraram de sua falida empresa milionária e investiu num alcoolismo sólido. Nisto também investiu seu carro, sua casa e a memória de sua esposa e filhos, que o álcool bebeu com uma dose de divórcio.

Só que o Rubens, a Odete e o Saulo da minha história não existem. Não com esses nomes, pelo menos. Mas tem muita história assim por aí, tanto que terminaram mal, quanto que acabaram bem. E essa segunda opção vem pra dizer que nada disso é o fim do mundo. O que farei aqui é contar essas histórias que se desenrolaram pro lado da alegria de novo – ou, pelo menos, da continuidade do mundo de cada um. Deixando a dor falar e o bom humor, se possível, também. Mas, principalmente, com o testemunho do Rubens que se apaixonou novamente e teve filhos. Com a Odete que encontrou um motivo pra viver a cada manhã do fim da sua vida – e fez dessa contagem regressiva uma história melhor que os oitenta anos saudáveis da vida de muita gente. E com o Saulo, que recomeçou do zero e percebeu que, pra ele, o suficiente com descanso era mais prazeroso que a fartura cheia de fadiga.

Essa é a minha pauta. Se o bom humor aparecer, é irmão da esperança.

O que você me diz?

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Sobre Pablo Silva

Sou jornalista, fotógrafo e escrevo em blogs por aí. Ouço AC/DC e passo longe de Diante do Trono pra não perder a bênção.

  1. Reblogged this on Pablo Bausujoe comentado:

    Eu ainda tô escrevendo novas crônicas pra cá. A segunda parte de “Me deem licença” vem em breve. Até lá, deem uma olhada no meu texto de introdução à pauta de entrevistas que vou desenvolver em webjornalismo nesse período.

  2. tamires1duarte

    ei, adorei!

  3. Gostei muito da iniciativa em colocar possíveis desconhecidos no lugar central na história. Acho que, de certa forma, é uma das incríveis e muitas missões do jornalismo. Torná-los grandes no texto, já que se mostram assim na vida, é tarefa difícil, porém gratificante.A profundidade dos temas já aparece na pauta. Estou muito ansiosa pelo texto final. Parabéns!

  4. Poderia até tentar comentar sobre a pauta. Mas estou meio sem palavras. Simplesmente uma ideia sensacional. Boa sorte na pesquisa e apuração.

  5. snaathalia

    Como eu sempre digo! O Pablo está num espaço tempo diferente do nosso! Incrível seu texto!

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